Castelo de Vide - Portalegre

Percurso de automóvel - Extensão aproximada 36 Km

Este passeio começa em Castelo de Vide, a medieval, a florida. Uma vila que, no dizer de Raul Proença, é «como uma pequena Pompeia que houvesse sido soterrada e surgisse agora à luz do dia». Da sua antiguidade fala o primeiro foral (1180). Tal como Nisa, também foi palco das lutas entre o infante D. Afonso e o Rei D. Dinis. Em 1704, as tropas castelhanas ocuparam-na e destruíram-lhe as defesas, logo a seguir reconstruídas. Não tendo monumentos grandiosos, a vila vale pelo conjunto harmonioso da parte antiga, onde muitas das ruas e casas se conservam intactas desde os sécs. XV e XVI.
O povoado divide-se em dois núcleos, o medieval, na proximidade do castelo, e o dos sécs. XVII e XVIII, na parte central e mais baixa, com as casas de aventais lavrados e guardas de ferro (era rica a tradição do artesanato de ferro forjado, de que hoje existe apenas uma oficina).
Sigamos um percurso pedestre aconselhado pelo posto turismo. Estamos na parte central da vila, na Praça D. Pedro V. Do lado esquerdo, no número 11, com janelas com cantaria e tectos pintados, e no número 43 a casa do Clube, num barroco de carácter espanhol. Ao fundo a Igreja de S. João Baptista. Ao lado o Centro de Saúde, na casa onde nasceu Mouzinho da Silveira. Em frente fica a igreja matriz, sem horas certas de abertura, de larga nave e portal do séc. XVIII, e o edifício da Câmara, datado de 1721, com belos ferros forjados nas suas três janelas de sacada, ampla arcada e coruchéu piramidal. Frente à Câmara, o pelourinho.
Subimos pela Rua de Santa Maria até ao castelo. Pelo caminho observamos várias portadas ogivais e manuelinas, algumas denticuladas e ornadas de bolas.
As ruas vão estreitando. Dentro das muralhas do castelo visite a Igreja de Nossa Senhora da Alegria, forrada de azulejos seiscentistas (pedir a chave na Rua Direita do Castelo, 26, à Sra. D. Esperança).Vila de Castelo de Vide

Forçoso é subir à torre de menagem, de onde o panorama avistado pouco difere do descrito por Raul Proença no seu Guia de Portugal. É um caso quase único… Circundando a muralha do castelo, ainda pode ver o recanto dos antigos Paços do Concelho, com arcos quebrados, portais góticos, mísulas e poiais de granito. Daí começa uma íngreme descida, por entre flores que despontam de qualquer canto, até às termas, abertas de Maio a Outubro, cujas águas são recomendadas para diabetes, hipertensão, doenças de fígado e intestinos.

A volta da sinagoga, o bairro judeu medieval, desde a porta do castelo até à Fonte da Vila. Segundo anota Jorge de Oliveira, «a amplitude deste espaço pode compreender-se devido à proximidade de Castelo de Vide com a, fronteira castelhana». O Edito de 1442 promulgado pelos Reis Católicos provocou uma deslocação em massa de famílias judias que aqui procuraram refúgio e se instalaram. Datará dessa altura o desenvolvimento comercial e manufactureiro da vila.Castelo de Castelo de Vide
A meia-encosta corre a estrada da Circunvalação, de onde se desfruta um belo panorama. Mais adiante, a Igreja de S. Salvador do Mundo, quiçá a mais antiga da vila, com revestimento interior de azulejos azuis e brancos, nomeadamente dois painéis representando a «Fuga para o Egipto».

Se a sua estada é mais prolongada e é dado ao exercício físico, Castelo de Vide dispõe de um parque desportivo, com piscina coberta, aberta todo o ano, campo de tiro, dois campos de ténis, um pavilhão polivalente e um campo de futebol.
A caminho de Marvão rodamos por uma das mais belas estradas do Alentejo, por entre matas de castanheiros e de nogueiras, tendo de ambos os lados a linha recortada da serra, onde só se intrometem algumas quintas. Atravessamos Escusa, onde existe uma casa de abrigo. Vai agora atravessar o fértil prado de Marvão. Ao longe, começa a avistar o majestoso castelo. Depois de atravessar uma belíssima alameda de freixos, está na Portagem, atravessada pela ribeira, sobre a qual passa uma ponte romana. Em volta, um parque coberto de arvoredo, com esplanadas, um restaurante, uma quase piscina natural. E uma venda de bom artesanato.
A seguir à Portagem, subimos para Marvão. Antes de entrar na vila encontramos o Convento de Nossa Senhora da Estrela, que os franciscanos ergueram em 1448. A sua capela setecentista dispõe de um tecto trabalhado, paredes de azulejos, altar e pavimento em mármore. Peça a chave da capela no vizinho Asilo da Misericórdia, até às 17 horas.
Chegou à vila fortificada (deixe o carro fora). Pelas ruelas estreitas de calçada antiquíssima pode encontrar belas janelas manuelinas, o Largo do Pelourinho, a Torre do Relógio. Na Rua do Espírito Santo há duas varandas com um belo trabalho de ferro forjado.
Ao cimo da Rua do Espírito Santo abre-se um largo fronteiro castelo, onde se encontra a Igreja de Santa Maria, que alberga o Museu Municipal. Da igreja pouco resta, a não ser, do lado esquerdo, um altar a Nossa Senhora do Rosário, com azulejos do séc. XVIII, e uma pintura tecto, tudo a necessitar de obras de conservação.
No Museu, as imagens sacras, muito antigas, encantam pelo estilo fruste e ingénuo: Santa Bárbara com uma torre na mão, Santa Catarina aparentemente grávida, S. Sebastião, o Padre Eterno, um Santo Amaro.
A secção arqueológica expõe material desde o Paleolítico às Idades do Ferro e do Bronze, recolhido nas margens do rio Sever e da ribeira da Sapateira, em variadas antas e nas lapas de Abrigo de Vinhais. Apresenta também vestígios do período romano, oriundos da necrópole situada na Herdade dos Pombais perdida cidade de Amaia.
Uma pequena colecção etnográfica apresenta um conjunto trajes tradicionais do concelho, nomeadamente a coca, a romeira de Santo António e os caleiros de Escusa.
Subimos ao castelo, a que já chamaram de ninho de águias, um dos mais belos miradouros de Portugal. A vista alonga-se até terras de Espanha.
A fortificação domina a vila, um campo militar desenvolvido durante a ocupação árabe e reconquistado por D. Afonso Henriques em 1166, mantido por D. Dinis e alargado por D. João IV.
Se no posto de turismo, com gente simpática, lhe conseguirem encontrar as chaves, vale a pena visitar a igreja matriz e a Igreja de Santiago. A primeira conserva desde o séc. XIV a capela-mor gótica, sendo posteriores as três naves; tem duas esculturas góticas de pedra policroma. A segunda oferece azulejos monocromos e guarda um sacrário renascentista com pinturas em madeira.
Castelo de Portalegre
Em direcção a Portalegre, aconselhamo-lo que ignore a desinteressante estrada nacional. Vale mais meter-se pelo caminho da serra e descobrir o seu mundo silencioso. Para tal, na Portagem atravesse a ponte e, junto ao restaurante Sever, volte à direita para «Porto Espada». Aqui encontra a casa vinícola de João Sequeira Carloso, produtora de um magnífico vinho designado aramenha, que não é fácil vislumbrar no mercado dada a escassa produção. Procure-o e talvez consiga umas garrafas, dando preferência ao tinto da vindima de 1993.

Portalegre esconde-se entre várias estratificações que as diferentes idades deixaram no tecido urbano. E difícil descobrir-lhe os mistérios, tanto mais que não há guia da cidade, sequer uma simples planta para orientar os visitantes. No entanto, vale a pena tentar uma rota, porque Portalegre encerra um dos melhores conjuntos de palácios e casas solarengas de setecentos e oitocentos. «De tipologias variadas, vão-se edificando as casas grandes, com uma habitabilidade de dominante horizontal, com janelas em série e uma sociabilidade interior macro familiar: a da família extensa daqueles tempos do Antigo Regime — o pai e a mãe, os filhos, os antepassados vivos, a criadagem e os protegidos».

Fonte de Portalegre

Como nenhum serviço de turismo o ajuda na cidade, estabelecemos um pequeno roteiro, para o que fomos ajudados pelo Prof. António Ventura.
Quem vem do sul, de Évora, ou de Lisboa por Estremoz, entrando pela Porta do Alegrete na muralha da cidade, encontra, virando à direita, a Praça da República. Vale a pena procurar a Casa Museu José Régio, na rua homónima do poeta que cantou
«Portalegre, cidade do Alto Alentejo, cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros». Na casa, «velha, grande, tosca e bela, à qual quis como se fora feita para morar nela», paira o espírito do poeta. No ambiente sombrio dos quartos e da sala de trabalho, conservados tal qual os deixou, depara-se-nos um surpreendente museu de arte sacra. São 400 imagens de Cristo, predominantemente em madeira, uma das quais do séc. XIV.
Na Praça da República, a Câmara está a instalar um espaço de convívio público. Admiremos as fachadas do Palácio do Conde de Avilez, hoje sede da PSP, com sinais barrocos, e do Solar dos Acchilli, de feição mais sóbria, onde funciona a Escola Superior de Educação. Pela Porta de S. Francisco, por onde entrou Filipe II de Espanha, encontramos o Convento de Santo Agostinho, hoje sede da GNR, um dos mais antigos edificios da cidade, datado de 1275, de cuja igreja já pouco resta, a não ser o portal, o corpo da nave e o altar-mor em mármore.
Passamos à Praça Serpa Pinto, para admirarmos talvez o mais belo palácio da cidade, o dos Barahona, construção do séc. XIX onde se guarda o Arquivo Distrital. Na CasaAlentejano, na Rua Garrett, pode redescobrir o artesanato em ferro forjado, incluindo cabides, frentes de lareira e candelabros.
Perto, o Café Alentejano, reminiscência de estilo modernista, tal como, em frente, a sede da Caixa Geral de Depósitos, a fazer esquina com a casa manuelina de D. Nuno de Sousa com a sua magnífica janela quinhentista, lavrada em granito.
Daí pode descer à Praça do Município, coração da cidade velha, com a Sé e o Paço Episcopal, o edifício filipino que é sede da Câmara, o antigo seminário do séc. XVI, hoje Museu Municipal, e uma casa senhorial frente à Sé.
A Sé começou a ser construída em 1550, quando D. João III concedeu a Portalegre o foral de cidade e o Papa a instituiu diocese. Só um século depois é que foi acabada, em tempo do bispado de Frei Amador Arrais, que destinou para o seu interior rico ornamento artístico. A fachada tem três portais barrocos e duas torres sineiras. A igreja constitui-se em três naves. Os altares são em talha dourada e apresentam ornamentos de pintura maneirista. O claustro, mais pobre, contém azulejos do séc. XVI.
É pena a Sé não ter mais luminosidade para facilitar a observação dos tesouros que esconde, como os retábulos e as pinturas dos altares laterais. Essa pintura constitui um bom espólio do estilo maneirista italianizante, obra de pintores portugueses dos sécs. XVI e XVII. A colecção de imagens é relevante, destacando-se uma escultura de pedra policroma do séc. XIV, de Santa Maria.
O Convento de São Bernardo é um dos mais importantes mosteiros cistercienses de Portugal. Fundado no sítio da Eira pelo bispo da Guarda, diz-se que fugido para Portalegre por lá ser «terra onde matavam os bispos», de seu nome D. Jorge de Meio. Senhor que se tinha em alto merecimento, mandou construir na igreja do convento um sumptuoso túmulo com a sua figura. Deste, Filipe II teria dito: «Grande gaiola para tão pequeno pássaro». O convento tem espólio de azulejaria e dois claustros, mas a visita está comprometida pela ocupação da GNR.
Vale a pena entrar na Igreja de S. Lourenço, já perto do Rossio. De fachada muito simples, esconde uma nave revestida a azulejos azuis e brancos e um rico altar-mor barroco com retábulo de exuberante talha dourada. Se quiser deslocar-se à encosta não urbanizada de Portalegre, pode apreciar o Santuário de N. S. da Pena, visível, na sua brancura, de toda a cidade. Lugar de peregrinação e romaria, guarda a sua singeleza popular, como atestam as prendas recolhidas em pagamento de promessas.

No Parque da Corredoura, a Manufactura de Tapeçarias de Portalegre dá continuidade às tradições da tecelagem da Fábrica Real criada pelo Marquês de Pombal. Ali se executam tapeçarias a partir de obras de artistas contemporâneos.

Informação compilada de Expresso – Guias de Portugal
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