Castro Daire - Amarante
Percurso de automóvel - Extensão aproximada 170 Km
Deixe Castro Daire e acompanhe o Paiva até junto da Ermida do Paiva, seguindo a partir daí, rumo às terras altas da serra de Montemuro. Nas estradas florestais é quase certo encontrar mulheres com os seus capotes serranos acompanhando os rebanhos. Nesta zona ainda existem aldeias de transumância, no alto das serras, ocupadas unicamente durante o verão. Uma das mais espectaculares situa-se a sul de Lazarim, aldeia do concelho de Lamego famosa pelos seus rituais carnavalescos. Atravesse a aldeia de Campo Benfeito, com as suas casas de pedra, outrora sede de concelho. Em plena serra encontra-se a Capela da Senhora do Fojo, com bela talha no interior.
Entrando no concelho de Resende, após Feirão, chega-se à zona do planalto onde estão a ser estudados diversos monumentos megalíticos. Inicie a descida em direcção ao vale da ribeira de S. Martinho. Depois de atravessar a ribeira, suba de novo o vale e dirija-se a S. Pedro do Souto, pequena povoação com interessante capela.
Retomando a descida, tome um caminho misto de terra, empedrado e alcatrão que o levará a S. Martinho de Mouros e à sua magnífica igreja românica. Em fase de restauro, merecem referência os tectos, os altares e as paredes de pedra.
O passeio aproxima-se do Douro, em Porto de Rei. Subindo um pouco, passe por S. João de Fontoura. De uma antiga casa solarenga, para além da frontaria com o respectivo brasão, pouco mais resta.

Passando por Massôrra e Rendufe, chega-se a Resende, sede de concelho e eventual ponto de paragem para refeição ou reabastecimento da viatura.
Siga para Santa Maria de Cárquere e visite o respectivo mosteiro. Templo Manuelino, possui uma torre medieval defensiva. Pouco resta do antigo mosteiro para além desta e da capela funerária dos Condes de Resende (para visitar o interior da igreja e da torre contacte o Sr. José Joaquim Pereira, na casa junto da torre). A igreja possui bela capela-mor gótica dos finais do séc. XIII, sendo igualmente de destaque a janela da capela funerária, reconhecida como um dos elementos românicos mais interessantes existentes em Portugal.
Continuando na margem sul do Douro, passe por S. Romão e Miomães, onde poderá ver a curiosa estrutura da fachada da capela da antiga Casa do Espírito Santo, que, vista de frente, faz lembrar a cara do “Feiticeiro de Oz”.
Prestes a chegar à ponte de Mosteirô, passe por Oliveira do Douro para observar o campanário da igreja paroquial, com um carrilhão composto por doze sinos e sinetas.
Passando o Douro para a margem norte, através da nova ponte de Mosteiro, tome a direcção de Baião, passando por uma das maiores belezas deste percurso: o Convento de Ermelo e a igreja matriz de Ancede. Antigo convento beneditino hoje lamentavelmente degradado, apenas tem em condições (graças ao empenho da população) a antiga igreja, hoje matriz, com um belíssimo altar. Na sacristia observam-se alguns dos tesouros de arte sacra do espólio do convento, assim como o famoso tríptico sobre madeira figurando São Bartolomeu, Santo António e Santo André, com a Anunciação no verso dos painéis. Obra de Autor desconhecido – sabe-se apenas que era natural da região – foi pintado no início do séc. XVI. A aldeia ficou conhecida quando, há anos, a população se revoltou e tentou impedir a saída do tríptico para Lisboa para restauro: tinham suspeitas que a obra não regressasse…
Para além da igreja, é notável a Capela do Senhor do Bom Despacho, com uma invulgar estrutura e um riquíssimo altar em barro barroco. A mais valiosa peça deste conjunto é uma imagem existente na antecâmara lateral, junto à porta feita em “massa de pedra” (para a visitar, contacte o Sr. Júlio Monteiro, no minimercado da povoação). Estes edifícios não fazem parte do inventário de Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado editado pelo IPPAR, nem mesmo dos desdobráveis da Região de Turismo da Serra do Marão, que abrange esta zona.

Passando por Baião, siga em direcção à Serra da Aboboreira. Atravesse-a pelo estradão utilizado no Rali de Portugal (embora no sentido inverso), cujo piso é melhor que o de muitas estradas nacionais. Convém ter em conta que se trata de um caminho público e com trânsito, pelo que não se deve ceder à tentação de o transformar em pista de competição durante o passeio… Vão ser cerca de 17,5 km de belas paisagens, passando pela Capela da Senhora da Guia, por diversas antas e pela povoação da Aboboreira (casas de pedra).
Retomando o alcatrão, vire para Tabuado. À entrada, observe as ruínas da Casa de Santiago e a igreja matriz românica, que conserva praticamente intacta a estrutura original, um altar decorado com um fresco do séc. XV representando São João Baptista, O Salvador, e Sant’Iago Maior, recortado num fundo vermelho. Todas as paredes interiores eram cobertas por frescos que desapareceram, à excepção do existente no altar-mor, que foi tapado durante muito tempo por novo altar de talha dourada (para a visitar, contacte a Casa da Paróquia, à direita da igreja).
Entrando em Marco de Canaveses, desça já o Tâmega, visitando, na margem sul, a Igreja de São Nicolau, em local sobranceiro ao rio, com agradável paisagem. Tome uma pequena pista de terra que leva a Vila Boa de Quires, passando pelas ruínas de uma casa solarenga. Nesta localidade, observe mais um exemplar de igreja românica.
À saída da vila, a Casa das Obras do Fidalgo, bom exemplar de igreja barroca de edifício do séc. XVIII, rica em recortes e nas suas proporções (nomeadamente a espessura das paredes). Tem uma história curiosa. Um dia, quando o arquitecto visitava o estaleiro caiu e morreu. O proprietário viu no acidente um mau agoiro e deixou a construção no estado em que se encontra dois séculos depois.

Em Amarante, o Posto de Turismo está instalado no antigo Mosteiro de S. Gonçalo. Recomenda-se uma caminhada pela zona histórica, visitando o Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, a igreja de S. Gonçalo, a famosa ponte sobre o Tâmega e o interessante viveiro dos serviços Florestais.
Informação compilada de Expresso – Guias de Portugal
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