Mafra - Peniche
Percurso de automóvel - Extensão aproximada 110 Km
O passeio começa em Mafra, vila famosa pelo seu convento. Mandado construir por D. João V em 1711, como pagamento da
promessa que havia feito caso tivesse filhos, só ficou concluído em 1730. Das peripécias, reais e romanceadas, da construção fala-nos “O Memorial do Convento”, de José Saramago. Com 220 metros de comprimento, era, na altura, um dos maiores edifícios da Europa. A visita deve incluir a biblioteca, notável pelo seu desenho e albergando 30 mil livros. A basílica, os claustros e o vestíbulo da igreja, com as suas esculturas italianas, são igualmente pontos a visitar.
Aos domingos à tarde costumava haver concertos de carrilhão: o conjunto sineiro, recentemente restaurado (um dos dois existentes), chega a fazer-se ouvir a 15 quilómetros de distância.
A vila é famosa pelo trabalho dos seus oleiros. É o caso de José Medeiros, em cuja oficina, na estrada de Almada, trabalham 45 pessoas. O Louvre e o Metropolitan Museum de Nova Iorque têm aqui mandado fazer cópias das suas peças.
A vila é famosa pelo trabalho dos seus oleiros. É o caso de José Medeiros, em cuja oficina, na estrada de Almada, trabalham 45 pessoas. O Louvre e o Metropolitan Museum de Nova Iorque têm aqui mandado fazer cópias das suas peças.
Para seguir até à Ericeira há duas opções. A primeira permite visitar diversas olarias, uma delas a de José Franco. Ao longo dos anos edificou uma aldeia em miniatura com artes e ofícios de outrora. Sentado à roda, vai modelando santas e figuras satíricas enquanto conversa com quem o visita. O grande defeito deste trajecto são os engarrafamentos, sobretudo ao fim-de-semana. Daí que se proponha outro, seguindo ao longo do vale do Lizandro até à Capela da Senhora do Ó. Uma vez na estrada, visite a lagoa situada na Foz do Lizandro. É aí que António Sampaio molda figuras em cerâmica: vendedores tradicionais lisboetas, episódios da vida de Santo António, a fábula “O Velho, o Rapaz e o Burro”, etc.
Na Ericeira ainda encontra restos dos ambientes das praias de há 40 anos: ruas pedonais que funcionam como passeio público, tertúlias nos cafés, dezenas de casas de pescadores para alugar a veraneantes. A vila tem um pequeno tesouro escondido no Arquivo-Museu da Santa Casa da Misericórdia: um repositório de arte sacra onde avulta a colecção rara de nove bandeiras de procissão, pintadas aos dois lados ao estilo “tenebrista”, usadas, na semana santa, na procissão dos “fogaréus” da Ericeira. Aprecie também os ex-votos, que remontam ao séc. XVIII. Próximo do porto de pesca, a Capela de Santo António, forrada a azulejos, fronteira ao local donde, em 5 de Outubro de 1910, a família real partiu para o exílio
brasileiro.
Na “saída Norte”, em direcção à EN 247, passamos junto à Capela de S. Sebastião, do séc. XVII, e ao Forte de Mil Regos.
Passada a praia da Ribeira de Ilhas, conhecida zona de surfistas, encontramos Ribamar, famosa pelas marisqueiras.
Em termos de praias, transposto S. Lourenço – onde vale a pena parar no pequeno bar com esplanada na falésia, há diversas propostas: Calada, Cambelas e Gentias de Cima, no caminho para Barrocas. Para visitar as duas últimas é necessário sair da EN 247 na direcção de Assenta. Voltamos a cruzar a EN 247 mais à frente, para visitar S. Pedro da Cadeira.
Merece referência a Igreja de Nossa Senhora da Cruz.
A seguir ao cruzamento da EN 247 com a EN 9 cortamos à esquerda, seguindo a direcção “Santa Cruz” e “Torres Vedras Alternativa”. À esquerda fica a Praia Azul. Em Santa Cruz, de novo a beleza encaixada entre falésias e a luta, aparentemente inglória, entre o casario dos anos 50 e o betão dos anos 90.
Vimeiro é a etapa seguinte, com as praias de Santa Rita e Porto Novo e a conhecida estância termal. Seguindo para o interior, no alto de uma colina fica o obelisco comemorativo da batalha entre o exército anglo-português e os franceses, em 1808, que assinalou o fim da I Invasão Francesa.
Seguindo para norte ao longo da costa, as praias e os viveiros de marisco voltam a ser referência principal na passagem por Porto Dinheiro e Porto Barcas.
Na Lourinhã, a igreja matriz, templo gótico do séc. XIV, apresenta um portal de quatro arquivoltas assentes em capitéis. Foi construída no espaço do antigo castelo medieval. A seguir Areia Branca (nome posto em causa pela falta de civismo dos veraneantes e insuficiente saneamento da sua ribeira).
Para quem goste de sossego, o melhor é seguir por uma estrada secundária rente à costa e, três quilómetros depois, descer para a praia de Paimogo (que etimologicamente significará “país dos magos”), tranquila e muito bonita, onde o sol queima a sério. No topo norte, é possível apreciar uma panorâmica impressionante que, em dias claros, abrange Peniche e as Berlengas.
Voltando à EN 247 (o que pode fazer indo logo em frente, por caminho de terra perpendicular ao mar) e seguindo para Peniche, oportunidade para visitar as praias de S. Bernardino e da Consolação. Antes do cruzamento respectivo, um moinho recuperado da ruína e em pleno funcionamento evoca ofícios de outros tempos. De regresso à EN, seguir a indicação “Atouguia da Baleia”, onde foram celebradas as Cortes Gerais de1373. A igreja matriz, dedicada a S. Leonardo, é um exemplo da arquitectura romano-gótica. Junto da igreja existem uma fonte gótica e vestígios de um touril. Toda a aldeia está ligada a antigas lendas e tradições, nomeadamente dos templários.No Baleal recomenda-se uma visita a pé à pequena península. A construção da estrada através da praia tirou o sossego à aldeia, antigamente transformada, segundo os caprichos do mar, ora em ilha ora em península. É uma zona de caça submarina, mas verdadeiramente radicais são as habilidades dos surfistas nos famosos “tubos”. Na praia poderá encontrar o artesão Marcelino Cabeças com os seus cestos em verga.
A entrada em Peniche faz-se através de uma porta na antiga muralha que protegia a vila dos ataques da pirataria francesa e inglesa.
Se não tiver pressa, corte à direita e faça o perímetro do cabo da península, passando nos rochedos da Papoa, cenário de alguns naufrágios trágicos, o mais famoso dos quais foi o do galeão espanhol “San Pedro de Alcántara”. Seguem-se o Cabo Carvoeiro (atenção ao restaurante Nau dos Corvos, com fabulosa vista sobre as Berlengas e razoável cozinha) e diversos “carreiros” (corredores por onde o mar entra no meio da falésia, num dos quais existe uma gruta pré-histórica devidamente assinalada). Quase a chegar ao Forte de Peniche, outra hipótese gastronómica: a Marisqueira dos Cortiçais.
O forte, seiscentista, edificado para proteger a costa num local propício a desembarques, foi transformado em prisão política pelo Estado Novo e devolvido, após o 25 de Abril, a espaço museológico. A visita vale a pena, aproveitando a circunstância de ser um bom miradouro sobre a costa. À entrada, uma maqueta mostra a importância da fortaleza na defesa da região quando Peniche ainda era uma ilha. O percurso começa pela Costa da Guarda, onde se reforça o conhecimento da história de Peniche através de alguns objectos. Na sala das Ciências, elementos geológicos permitem a compreensão da antiguidade desta terra. O forte alberga o que poderia ser o “Museu da Resistência ao Fascismo”, mas documenta apenas alguns aspectos da vida dos presos políticos na cadeia que ali funcionou. A documentação é pobre, ainda que seja comovente visitar os parlatórios, onde os presos recebiam visitas, e as celas, numa das quais se expõem desenhos de Álvaro Cunhal. Referências à fuga de Dias Lourenço, Álvaro Cunhal e outros dirigentes comunistas. As cartas, os poemas e a biblioteca.
Mas este espaço museológico tende – até pela formação profissional, em Arqueologia Marítima, da sua directora – a fazer a história de Peniche a partir do mar, como ponto importante de rotas de passagem desde os tempos mais remotos.
É assim que se deve entender a recolha de vários achados submarinos e, sobretudo, a exposição “O Navio do Último Inca”, que justifica, por si, uma visita, apresentada no edifício da Capela. É o resultado de 18 anos de trabalho de arqueologia submarina para tentar reconstruir o célebre naufrágio do galeão espanhol “San Pedro de Alcântara”. Afundado em 1786 e vitimando 130 pessoas, entre as quais muitos dos prisioneiros incas que transportava, vinha carregado de riquezas imensas, que os espanhóis depois se encarregaram de recuperar. Com cerca de 30 das cerca de 4000 peças resgatadas nos
recentes trabalhos de pesquisa que se processaram no mar e em terra, a exposição está montada com uma cenografia fantástica, envolta num manto sonoro de gritos de golfinhos.
Num ambiente quase Wagneriano, tenta-se reconstruir o naufrágio, não só com testemunhos reais, mas também através da imaginação virtual de programas de vídeo.No que respeita ao artesanato, destacam-se as rendas de Bilros, relativamente às quais pode obter informações na Associação das Artesãs de Peniche, no Lar de Santa Maria e na Rendibilros (Associação das Rendilheiras de Peniche). Barcos em miniatura ou dentro de garrafas e quadros com nós de marinheiro são artes, respectivamente, de António Cativo (Clube Naval), Augusto Berlenga, António Marreiros e João Salsinha Duarte.
Informação compilada de Expresso – Guias de Portugal
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