Montemor - Monsaraz

Percurso de automóvel - Extensão aproximada 170 Km

O percurso inicia-se em Montemor-o-Novo, a cerca de uma hora de viagem de Lisboa. Antes de nos metermos à descoberta desta zona do Alentejo, vale a pena visitar a vila.
A tradição associativa levou à construção de agremiações, muitas delas situadas à roda do asseado e florido jardim central. Podem ver-se belos vestígios da arquitectura residencial urbana, desde janelas de perfil manuelino a solares setecentistas de vãos rococó, com grandes fachadas de dois pisos com séries de janelas de sacada decoradas a fazer lembrar a longínqua Goa.Castelo de Montemor-o-Novo
Teve foral de D. Sancho I. Aqui nasceu S. João de Deus. Conserva-se, embora muito arruinado, o castelo medieval, dentro do qual esteve edificada a antiga vila e onde se pode ver o abandonado Convento de Nossa Senhora da Saudação (séc. XVI).
Em colinas próximas erguem-se as capelas de Nossa Senhora da Conceição e de Nossa Senhora da Visitação. Pode subir-se a esta última através de um suave escadório. Do alto aprecia-se a larga planície e a vila, com o castelo no topo de «monte-mor».
Perto no Monte da Albardeira, a oficina do cesteiro João Lopes. Aceita encomendas para cestos de vime à prova de caruncho.

Antes de avançar para as grutas de Escoural ou para os campos arqueológicos em que a região é pródiga, receba a útil informação no Museu sedeado no Convento de São Domingos, bem perto da torre do relógio, donde se avista toda a povoação.

O museu testemunha a antiguidade da presença do Homem na região, com ampla documentação da vida paleolítica da vizinha Gruta do Escoural. Esta foi «habitat», santuário e necrópole entre 17 e 13 mil a. C. Cerâmica e utensílios de pastorícia e agricultura vão documentando a evolução das várias idades da pré-história da região, com base em escavações na zona das antas do Barrocal e da Comenda.

Do museu regional, destaque para a olaria, com espólio legado pela etnóloga Margarida Ribeiro à espera de uma melhor catalogação. Relevo para a olaria conventual e uma representação de barros de todo o país. Na sala do capítulo, um conjunto de carros antigos, desde charretes a coches. Além de uma colecção de imagens religiosas e de uma sala dedicada à etnologia local há, para os aficionados, um pequeno museu tauromáquico, doado por Isabel Ribeiro dos Santos.

Saindo pela estrada de Alcáçovas, passa-se ao lado de um bar original:a antiga estação ferroviária. Perto de Caeiras, a Quinta da Torre, onde se encontra a Torre do Carvalhal. Gótico-manuelina, conserva as paredes de pé. Junto, uma pequena capela da mesma época, também em estado de abandono.Interior da Gruta de Escoural

Passa-se em seguida por Santiago de Escoural e pela Gruta de Escoural. Depois por Torre de Giesteira, também conhecida por Torre da Boa Fé. É um edifício que deve remontar ao séc. XVI, tendo depois sofrido transformações e acrescentos. Perto de S. Brissos, a capelinha de Nossa Senhora do Livramento, construção que aproveita um dólmen.De novo na estrada, as aldeias de Valverde e Guadalupe, até se atingir o Cromeleque dos Almendres. Constituído por uma centena de menires, é o mais impressionante dos conjuntos do género existentes em Portugal e deve datar do período Calcolítico.

Na Herdade da Mitra, a sevir de dependência à Universidade de Évora, a Anta do Zambujeiro, cujos esteios atingem cinco metros de altura.
Em Évora toma-se a direcção de Reguengos, e depois de Montoito. Aqui, segue-se para Castelo de Valongo, espécie reduzida do castelo de Guimarães e que parece flutuar num mar de espigas. Próximo objectivo: Redondo.Castelo de Valongo
A qualidade do barro do Redondo cedo deu fama às suas olarias. Na sua oficina que se encosta ás muralhas do castelo, passada a Porta da Ravessa e defronte dos hospitalzinho, Jõao Mértola mostra um forno do tempo de D. Dinis, em que a abóbada é a primitiva, feita de terra e tijolo. As tábuas do chão é que vão sendo mudadas.
O Senhor Pintassilgo gaba o barro local, que vai buscar à serra da Ossa. Mistura-o numa tina com água e é bem batido com o falheiro.

Depois é passado pela peneira para remover as impurezas e tem de ficar a secar num tanque à volta de um mês. Queixam-se do barro espanhol, que já chega aqui empacotado e preparado. É barro fino mais fácil de moldar. Mas as peças tornam-se mais frágeis, qualquer pancadinha e lá vai o prato.

Adriano Martelo distingue-se pela qualidade da sua pintura. Não se importa de não vender imediatamente porque sacrifica a quantidade à qualidade.

Os pratos da Tia Rita – com muitos motivos originais e, até, a dúvida de quem roubou a quem a pomba normalmente atribuída a Picasso – tornam indispensável uma visita ao «atelier» da artista.Paço Ducal

Vila Viçosa é o ponto de paragem seguinte. A vila é dominada pela presença faustosa da Casa de Bragança, que a escolheu como residência de férias.
O Paço Ducal resulta do primeiro palácio quinhentista ao estilo mudéjar, alterado no séc. XVI e durante os reinados de D. João V e de D. José I. Segundo José Teixeira, ex-director do Paço, isso faz do edifício «um núcleo fundamental para o entendimento de uma tipologia de arquitectura civil nos princípios do séc. XVI e no séc. XVIII».

Com excepção da armaria e da ourivesaria, o espaço não está organizado nos moldes museográficos tradicionais. Milhares de notáveis peças encontram-se espalhadas pelas salas, pelos quartos reais, pela capela, pela cozinha. Encontram-se, assim, vinculados à função que exerciam nos espaços habitados. No entanto, algumas salas são temáticas. Destaque para duas: o mobiliário português dos sécs. XVI a XVIII e as tapeçarias flamengas e francesas dos sécs. XVI a XVIII.

Na cozinha uma bateria com 600 peças de cobre. No piso térreo encontra-se nas salas da armaria o melhor conjunto português de armas de fogo, armas brancas e armaduras, desde o séc. XV.Museu Nacional dos Coches

Na antiga cocheira, nas imediações do Paço, funciona um departamento do Museu Nacional dos Coches, com uma colecção, se não mais valiosa, pelo menos mais diversificada. Entre os 70 veículos encontram-se carruagens de gala, coches em talha dourada e até com incrustações em prata, mas também transportes utilitários, berlindas e liteiras, dois «chars-à-bancs» únicos no mundo e a carruagem que transportava D. Carlos I à altura do regicídio.

O castelo medieval, que também foi paço antes da construção do palácio, alberga um recente Museu da Caça. Uma monumental colecção de 1500 peças. Das quais 350 são armas. É um espólio do Engº Lopo de Carvalho, a que se junta um excelente acervo de armas da Guiné, de Angola e de Moçambique oferecidas a D. Carlos. Na Rua Dr. Manuel de Arriaga, Apeles Coelho produz terrinas, molheiras e molduras em estanho, utilizando as técnicas dos malteses húngaros.

Nesta vila real não esqueça o Convento dos Capuchos e as igrejas matriz, da Misericórdia, de Santo António e S. João Evangelista, todas do séc. XVI.

Partamos para o nosso próximo destino: Juromenha. Perdida a sua importância estratégica com a queda de Olivença, está hoje reduzida a uma aldeia de escassos moradores.

Mas as antigas fortificações, alteradas nos sécs. XVII, ainda testemunham o poder da antiga praça-forte e são ponto de visita obrigatório.Torre do Relógio

Segue-se para Alandroal, com a sua curiosa torre do relógio, na torre de menagem do castelo. Uma vila tranquila a pedir calma visita a pé. Terá sido fundada em 1298 pela Ordem de Avis. Conserva, além do castelo, a igreja matriz, de traça quinhentista. O Restaurante A Maria é a grande referência gastronómica.Terena também conserva o castelo medieval. A parte alta da vila está preservada. Ruas estreitas, casinhas caiadas e com flores. O passeio ideal para um fim de tarde. Se forem horas de comer ou de dormir, o Migas e a Casa de Terena resolvem mais que satisfatoriamente o problema. A cerca de 120 metros, a igreja-fortaleza da Boa Nova (séc. XVI), importante local de peregrinação durante a Idade Média.

Para leste a Barragem do Lucefecit e o santuário Endovélico.

Perto de Monsaraz, termo desta jornada, situa-se S. Pedro do Corval: há dezenas de olarias, cada uma com a sua história. João Santos gosta de usar as suas papoilas e os malmequeres que a sua mulher pintava, enquanto o cunhado Manuel Conde, se dedica aos motivos alentejanos. Manuel Infante vai inovando naturezas – mortas, merecendo ainda destaque as olarias Beijinho e Hélio.

Monsaraz vale sobretudo pelo conjunto urbano, que se estende da época medieval até ao séc. XIX, bem conservado. Junto da vila, no sopé do monte, o Convento da Senhora da Orada (séc. XVIII), de origem medieval, actualmente reconvertido em alojamento turístico.

Informação compilada de Expresso – Guias de Portugal
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